sábado, 3 de julho de 2010

Em homenagem a estreia de "Os Inocentes" de Rodrigo Nogueira e Julia Spadaccini uma reportagem de fevereiro desse ano sobre a peça

21/02/2010 Livro sobre maio de 1968 ganha versão na peça 'Os Inocentes'

por Jornal do Brasil O turbulento maio de 1968 vem norteando artistas mundo afora. Foi evocado por Mauro Rasi em A cerimônia do adeus, a melhor de suas peças de fundo autobiográfico, registro do rito de passagem de um jovem dividido entre o cotidiano numa cidade do interior paulista e a paixão por Simone de Beauvoir. Ganhou lugar de destaque nas pautas de cineastas como Louis Malle, no ótimo e pouco lembrado Loucuras de uma primavera (1989), e Hans Weingartner, em Edukators (2004), flagrante da intensidade das relações em décadas passadas. A célebre data reverberou ainda em Gilbert Adair, autor do livro The holy innocents que inspirou Bernardo Bertolucci na concepção do filme Os sonhadores (2003), roteirizado pelo próprio Adair. Livro e filme vão desembocam no palco. Trata-se de Os inocentes, texto de Rodrigo Nogueira e Julia Spadaccini, que tem estreia marcada na sala Multiuso do Espaço Sesc, em Copacabana, para 2 de julho.



esquerda: Patrick Sampaio; meio: Lisa Fávero; direita: Michel Blois



Na história de Adair, dois irmãos gêmeos e um amigo (que na peça vão se chamar , respectivamente, Teodoro, Isabela e Mateus) se trancam dentro de um apartamento enquanto Paris explode do lado de fora.


Triângulo amoroso

– Acho que a circunstância dos três fechados num apartamento não deve ser vista como escapismo em relação ao conturbado contexto externo, mas como um mergulho profundo de cada um. Eles quebram dogmas pessoais, espreitam a morte e se fortalecem para encarar a vida – observa César Augusto, integrante da Cia. dos Atores, convidado pelos três (Patrick Sampaio, Lisa Fávero e Michel Blois) para dirigir a montagem.

Em Os inocentes, o espectador acompanhará a evolução do triângulo amoroso entre personagens que perdem a inocência ao tangenciarem os próprios limites numa época de ruptura de padrões comportamentais.

– No livro Adair diz: “Há os que têm coragem para se matar e os que não têm. Os que não têm são os que se matam. No fundo somos todos suicidas” – relata Michel, que interpretará Mateus.


De acordo com Rodrigo Nogueira, Mateus representa o estrangeiro que mostra a Teodoro e Isabela que eles vivem como amantes e não como irmãos.


– Não há julgamento moral no livro; apenas a percepção de que este comportamento gera consequências – sublinha Rodrigo.


O processo de Os inocentes lembra o de outro trabalho recente de Rodrigo, o de construção da dramaturgia de Play, oriunda de Sexo, mentiras e videotape (1989), cultuado filme de Steven Soderbergh. Tanto num projeto como no outro, o parentesco com o cinema ocupa lugar de destaque.


– Quero propor a intervenção do vídeo no espetáculo, de modo que, no final, a realidade passe para a tela e o imaginário fique no palco – diz Rodrigo, sublinhando a suspensão da fronteira entre real e ficção, uma das principais características da sua dramaturgia. – No momento-chave do texto, em que uma pedra entra pela janela do apartamento, a realidade invade a ficção.


A distância entre atores e personagens também será questionada através de jogos cênicos propostos por César Augusto.


– Peço para os atores misturarem histórias pessoais com as dos personagens – assinala César. – Os jogos ajudam a criar uma gramática comum e a fazer com que os atores acionem a criatividade e se afastem da instância cerebral.


A encenação trará referências aos protestos de maio de 1968, desprendendo-se possivelmente de menções diretas, como o polêmico afastamento do pesquisador Henri Langlois da Cinemateca Francesa.


– Queremos mostrar que o mundo se fechou naquele momento, não só os três personagens ou a cidade de Paris. Tudo ficou mais claustrofóbico – complementa César.


Contexto brasileiro


Ainda assim, conexões com o contexto brasileiro são não só quase inevitáveis como desejadas.


– Espero que não fiquemos presos a um passado de referências. Mas o passado nos foi negado. No Brasil muita gente não admite que houve um golpe de estado. Existem lacunas que precisam ser preenchidas – aponta César, evocando o período que marcou o acirramento da ditadura no Brasil com a implantação do AI-5.


Gilbert Adair se mostrou aberto às propostas de apropriação de seu livro.


– Lisa entrou em contato com ele, que liberou os direitos de graça. Ficamos livres para fazer a adaptação. Adair pediu apenas para ver o espetáculo, sem custo de passagem incluído – comemora Patrick Sampaio, integrante, ao lado de Lisa Fávero, do Brecha Coletivo, proponente de Os inocentes.


Na verdade, a ideia de transportar The holy innocents para o palco partiu de Lisa e foi apadrinhada por seu tio, o ator Fernando Eiras, que figura como supervisor do projeto. A iniciativa ganhou força com a conquista da verba de R$ 50 mil do Prêmio Myriam Muniz.


– O Brecha funciona como um coletivo aberto. Não existem pessoas fixas. Elas se aproximam de acordo com cada projeto. Há atores, cantores, músicos, cineastas, fotógrafos. Investimos em várias frentes: vídeos, performances, dança – detalha Lisa.

Uma filosofia próxima da Pequena Orquestra, coletivo do qual Michel Blois, Rodrigo Nogueira e Fernanda Felix (assistente de direção) fazem parte, e da própria Cia. dos Atores, apesar de o grupo capitaneado por Enrique Diaz ser formado pelos mesmos oito integrantes presentes desde a fundação.


– Somos pessoas completamente diferentes umas das outras há 21 anos. Por isto, cada um é livre para aderir ou não a novos prejetos. O processo de individualização dentro do coletivo é revolucionário – garante César.

domingo, 27 de junho de 2010

Reportagen de fevereiro de 2010 - Revista QUEM

Esqueceram a cueca


QUEM acompanhou os bastidores da peça Play – Sobre Sexo, Mentiras e Videotape e testemunhou que em uma temporada teatral imprevistos acontecem
Por Aurora Aguiar


(à esq.) Sergio Marone faz uma pausa no ensaio. Antes, entre uma passada e outra de texto, Maria Maya chama a atenção do ator. “Para de twittar, Sergio!” Ela conta que o ator é fissurado no microblog. Mas ele diz que 70% do que posta não tem nada a ver com sua vida pessoal. “Você quer saber se estou namorando? Não, não estou namorando”, despista Marone
(à dir.) Maria Maya e Rodrigo Nogueira, que mais uma vez esqueceu a cueca que usaria em cena em sua casa: pediu à produção para comprar uma nova peça no shopping



O cenário que cai, uma música que entra fora de hora, a luz que vaza onde não deveria. Esses são os imprevistos que costumam acontecer durante uma temporada teatral, segundo a atriz Maria Maya. E bastou ela acabar de falar no assunto para que o ator Rodrigo Nogueira entrasse no camarim sem calça, dizendo que havia esquecido a cueca que usaria em cena. “De novo, Rodrigo?!”, diz a atriz. A cena, testemunhada pela reportagem de QUEM, aconteceu na quinta-feira (28), meia hora antes da apresentação da peça Play – Sobre Sexo, Mentiras e Videotape, em cartaz no Teatro Nair Bello, em São Paulo, até 24 de fevereiro. Além de Maria e Rodrigo, o espetáculo também traz os atores Sergio Marone e Daniela Galli. No palco, os quatro reproduzem a história do filme Sexo, Mentiras e Videotape, de Steven Soderbergh, de 1989. Para garantir que nada saia errado, Marone acende um incenso. “Gosto de dar uma mentalizada, faço exercícios vocais, todos aqueles que a gente fica com umas caretas horríveis.” O tradicional “merda”, mantra comum entre os atores de teatro, também é reforçado. “Eu seguro a minha mão na sua para que juntos possamos fazer, no palco e na vida, tudo aquilo que eu não quero e não posso fazer sozinho. Merdaaaaa!!! Play, play, play, play...!!!”

quinta-feira, 10 de junho de 2010

PLAY- Rio Grande do Sul

O jogo no sul está a todo vapor!
A temporada de #PLAYRS está sendo um sucesso... Com uma plateia que está disposta a rir, se emocionar e se envolver com a história, a peça já lotou vários teatros!

Quem nao assistiu PLAY ainda da tempo, mas está no fim!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

PLAY NORDESTE

Os PLAYERS invadem o NORDESTE novamente nesta semana.


PLAY em JOÃO PESSOA na quinta-feira às 21hrs ( 13/05). teatro Santa Rosa.

PLAY em NATAL na sexta, sábado às 21hrs e domingo às 20hrs (14,15 e 16/05). teatro Alberto Maranhão


Quem está pertinho não pode perder!

Os Players são maravilhoso, sempre arrasam, segue as indicações a premios da peça:


Prêmio Shell

Melhor Ator: Rodrigo Nogueira

Melhor Texto: "Play"


Prêmio APTR

Melhor Ator: Rodrigo Nogueira

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Entrevista com Sérgio Marone

Dia 03/05/10, em entrevista ao jornal o povo, Sérgio Marone falou sobre vários assuntos. Inclusive sobre namoro e a vontade de adotar.

O POVO - Você tem algum tipo de fetiche com a câmera?

Sérgio Marone - Não. Eu gosto de tudo real mesmo e de guardar na cabeça e na memória.


OP - Há um tempo surgiu uma polêmica em torno de um depoimento que você deu no Twitter sobre o quanto um ator ganha em uma peça de teatro no Brasil. Dá para viver com isso? É utopia? O que você quis dizer com aquilo?

Sérgio - É muito complicado. As pessoas entenderam que eu estava reclamando sobre o que ganho na peça Play. Não é isso, porque eu já fiz cinco peças de teatro e a única vez que consegui ganhar dinheiro e ter um estilo de vida digno e normal foi na minha primeira peça, que era pop e totalmente comercial. Todas as outras peças tiveram indicação a prêmios, foram bem criticadas e não tiveram o mesmo sucesso de público. O que eu quis colocar é que precisamos ter uma política de maior incentivo à cultura. Não só a cultura da música, onde você vê grandes cantores de axé e sertanejo com enorme patrocínio de cervejarias. O teatro está ficando de lado. Essa lei não existe e foi criada pelo governo para que eles possam faturar em cima da classe artística.


OP - Você acabou de sair de Caras e Bocas. Algum novo projeto para novela em vista?

Sérgio - Não, por enquanto. Não posso falar ainda, mas devo voltar ano que vem com uma novela. Esse ano até novembro estamos viajando com Play. É difícil um diretor de novela topar que você faça as duas coisas. A não ser que você seja um (Antônio) Fagundes (risos). Eu queria fazer alguma coisa no cinema, mas é complicado, não são tantos convites assim. É um mercado mais complicado.


OP - Você é o representante no Brasil da ONG Green Building Council. Fala desse projeto.

Sérgio - Claro, com o maior prazer. Já foi comprovado cientificamente que se você pintar seu telhado ou qualquer superfície de branco, ela vai rebater o calor. Essa é a atitude mais eficaz e barata para contribuir no combate ao aquecimento global. E assim você esquenta menos a sua casa, usa menos o ar-condicionado. E é só comprar uma lata de tinta e pintar seu apartamento. Eu já comprei a minha, vou fazer na minha varanda. Tenho uma laje em cima do meu apartamento e vou eu mesmo pintá-la toda de branco.


OP - Vez por outra a gente te vê numa campanha, numa passarela. O fato de estar na mídia te pressiona a estar sempre na moda?

Sérgio - Não. Você acha que eu me ligo? Estou de camiseta, calça jeans e um par de tênis. Sou muito tranquilo.


OP - Você está namorando?

Sérgio - Não, estou há dois anos solteiro.


OP - Você já declarou que pretende adotar filhos....

Sérgio - Tem já tanta gente no mundo, não custa nada você adotar. Agora acredito nesse negócio como uma identificação. Tenho vontade de fazer isso, acho que é outro tipo de relacionamento, outro tipo de amor, é você dar uma segunda chance para uma criança que não teve as mesmas oportunidades que você, que não teve a sorte de nascer numa família abençoada e bem estruturada. Então gostaria de ter dois filho.
 
por: Elisa Parente